Coluna Musical - Julho/2017 - Edição 2 - Ano I

Telemann e a Viola cantante. O Concerto para Viola em Sol Maior TWV 51:G9



Yuri Bashmet, Violista 
Foto: ICA (International Classical Artists)


Esse foi um dos primeiros concertos para Viola conhecido, e possivelmente foi escrito entre os anos de 1716-1721. Um uma concerto que tem que estar dentro do repertório de todo violista. Um concerto de caráter simples, mas de muita importância para um estudante de viola, pois geralmente é primeiro concerto que ele irá estudar.
 Viola é um instrumento que foi, durante um tempo, chamado de “Violino”, sim, isso mesmo, a viola era conhecida como o violino, e o Violino como conhecemos hoje era chamado de Violino Piccolo, mas no século XVIII a Viola era chamada de Violeta. E a Viola quando alguém se referia era a Viola da Gamba.
Telemann viveu no período que conhecemos como Barroco entre os anos de 1681 a 1767, foi um compositor esquecido, contemporâneo do mais famoso compositor J. S. Bach. O Compositor e Jornalista C. F. D. Shubart (1739-1791) o chamava de “mestre sem igual”.
O concerto para Viola em Sol Maior (TWV 51:G9*) foi escrito quando Telemann estava entre 35 a 40 anos. A peça pode ser executada em mais ou menos 15 minutos, e é composta por quatro movimentos: Largo, Allegro, Andante, Presto. Esses termos em italiano significam o andamento da música, pois o metrônomo (um relógio que mede o tempo, andamento da música inventado por Dietrich Nikolaus Winkel e patenteado por Johann Mälzel), só foi criado em 1812, e aperfeiçoado. Tornando-se portátil (Mälzel fez isso copiando as ideias de Winkel) em 1816. Beethoven em 1817, já usava em suas músicas as referências do MM (Metrônomo Mälzel) em suas peças.
Apesar de Telemann ser alemão, a influência do estilo italiano é muito clara nesse concerto. Diferente de Bach, seu contemporâneo, que fazia os concertos em três movimentos, Telemann já o faz em quatro, com duração mais curta e uma exibição menos virtuosa.
Viola e Violino 
a diferença de tamanho entre esses dois instrumentos


O primeiro movimento, Largo, traz a orquestra tocando o tema e que logo após é ocupado pela Viola Solo. O material introdutório passa por várias Tons relacionados, durante toda música que culmina na Cadência** na Dominante***.
O segundo movimento Allegro vem com um vigor rítmico, muito parecido com os movimentos rápidos de Vivaldi, em forma brilhante. As repetições insistentes do tema (chamado no período Barroco de Ritonello, característico na escrita Italiana), tão presente na música toda faz o ouvinte ficar sempre atento, e relembrando o que já foi tocado, isso acontece no início, no meio e no final da música, mas sempre com algumas pequenas variações. Nesse movimento o Violista tem um momento quase virtuosístico, quando estar se aproximando do final, passando por escalas e sequencia de arpejos.
O terceiro movimento, Andante, estar no tom da relativa menor do tom original. A sua linha melódica surge de forma tímida, no entanto marcante, com uma presença de um baixo contínuo inquieto, sua melodia vai avançando de forma determinada e silenciosa. Nas edições modernas os editores adicionam, já na partitura, a Cadência da Viola.
O quarto e último movimento, Presto, vêm em forma binária, com as suas respectivas repetições. Lembra uma dança, com caractere humorístico, rápido, alegre e ansioso, a ideia temática passeia por todo o movimento em vários tons, primeiro em Sol, que é o tom original, depois no início da segunda parte no tom da Dominante com a orquestra, mas quando a Viola solista entra modula para o tom da Relativa Menor,  e no meio da segunda parte no tom realmente da Dominante voltando em seguida para o tom original para o Tutti final.
Como foi falado antes, é concerto simples, que não tem muita característica virtuosística. Mas uma música para estar no repertório de todo Violista. No método de Viola Suzuki Viola School desenvolvido por Shinichi Suzuki (1898-1998), esse é o primeiro concerto para Viola que aparece. Antes os concertos que aparecem, no método, são transcrições de concertos de Violino.
A Viola é esse instrumento belo, assim como todos os outros, que por muitas vezes é esquecido por músicos e desconhecida por apreciadores da música. No entanto é um instrumento que faz falta num quarteto de cordas tradicional, numa formação de uma Orquestra Sinfônica/Filarmônica e Orquestras de Câmara.  
 


Por
Amauri Barbosa



Nota:
1.        *TWV: Telemann-Werke-Verzeichnis (Trabalhos catalogados de Telemann) é o registro de suas composições publicado por Martin Ruhnke.
2.        **Cadência: Momento em que o solista mostro todo o seu material virtuoso geralmente é feito de improviso no período Barraco.
3.        ***Dominante: Acorde de quinto grau do campo harmônico.



Referências



Links do Concerto para Viola de Telemann:
·         Rose Armbrust Griffin
·         Yuri Bashmet
·         Tomoe Badiarova

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