Coluna Musical - Junho/2017 - Edição 1 - Ano I
Quais as dificuldades encontradas para
a difusão da música erudita na cidade? Será que a música erudita tem espaço na
sociedade ou é apenas uma utopia?
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo -Temporada de 2010 - Foto: Alessandra Fratus
A cidade de Fortaleza é conhecida
por suas bandas de forró que tomam conta das programações das rádios e
programas de TV local. Por outro lado a grande mídia pouco fala da música
erudita na cidade, salvo algumas vezes que se é citado alguma programação de música
clássica.
Os teatros por vezes estão vazios,
ou tem um público seleto, mas e a grande massa, onde estão?
Durante muito tempo a música de
concerto era feito em reuniões aristocráticas, o grande público não tinham voz
e nem vez para ver. Só a partir do século XVIII os concertos públicos começaram
as serem difundidos. No teatro era o momento oportuno para um encontro de
amigos conversarem, jogar xadrez, cortejar as damas... Era uma verdadeira
bagunça, ninguém prestava a atenção no que estava acontecendo no palco, somente
a partir do século XIX foi que as “normas de etiquetas” foram instituídas, e o
público teve que se comportar. Havia a hora de tossir, de se mexer, de bater
palmas. No entanto com isso os grandes jornais da época foram duramente
críticos, pois diziam que estavam infligindo o direito de “ir” e “vir” do
público.
Mas, e agora? Como a sociedade do
século XXI ver a música clássica? Será que vão ao teatro ver um concerto, uma ópera,
um quarteto de cordas? Ou será que é apenas um público seleto feito por músicos
e amigos?
Talvez por conta dessas “etiquetas”
tenha se distanciado o público dos teatros, de modo geral, a grande massa estar
acostumada a virar, dançar, falar, durante os grandes shows realizados, sejam
eles de Forró ou de Rock, as pessoas que estão presentes ali, “interferem” o
tempo todo, seja no fim da música ou durante a sua execução. No entanto na
música de concerto na há esse tipo de atitude. Ter que esperar o fim de todos
os movimentos de uma sinfonia para bater palma, ou o intervalo de um movimento
para o outro para tossir. Esse é o tipo de coisa que o público em geral não
estar acostumado.
Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho - Rock Concert 2013
Segundo a estudante de violino Kecia Hellen “Os mais jovens, adolescentes, veem como chatice, algo que dar sono”. Esse é outro problema que a música erudita enfrenta, os seus altos e baixos (conhecido como Dinâmica entre os músicos), fazem com que por vezes surja um piano (termo utilizado para o baixo volume de uma música) quase sem som que o compositor por vezes quer levar o ouvinte a um momento de relaxamento, com os movimentos lentos, os famosos segundos movimentos das sinfonias, que muitos falam como já pude presenciar: “música sem fim”. A falta de paciência que hoje temos é muito grande, não se tem mais tempo para apreciar uma música por inteiro, se a música não lhe convencer nos primeiros trinta segundos pode-se dizer que mais uma pessoal perdeu a chance de ouvir uma bela obra de arte.
Divulgar um concerto, por vezes não parece ser
algo tão difícil assim, em vista a tanta Rede Social, grupos de celulares. Hoje
a informação estar mais próxima, a internet aproximou mais o mundo, hoje você
pode se comunicar com o seu artista preferido através de seus contatos na rede. No entanto perante a toda essa
facilidade ainda se ver teatros vazios, salvos os concertos em tributo a
alguém, ou de peças famosas, no geral os teatros estão sempre vazios, muito
abaixo da capacidade que comportam. Segundo o professor de Educação Física,
Anderson Souza “Acredito que por questão
"cultural" e por falta de incentivo, questão governamental”.
A falta dessa “cultura” em nosso
ensino faz com que a grande massa possa estar sempre distante a essa forma
musical. Muitos ainda acham que essa é uma música de “elite”, que apenas os
“ricões” podem escutar. Esse distanciamento que a própria sociedade causa faz
com que essa música fique cada vez mais distante de um polo industrial. Não se
vê venda de CD’s de música erudita, talvez alguém já tenha ouvido falar de Beethoven, mas quase sempre vem à imagem
do filme do cachorro. Se perguntar à
alguém alguma música clássica, poucos saberão falar o nome de alguma, talvez
possam cantarolar algo e confundir os compositores, muito comum ver alguém falando
essa música do Beethoven é bonita,
mas na verdade estar tocando a Pequena
Serenata Noturno de Mozart.
Acho que esse distanciamento da
música clássica na sociedade só irá acabar quando tivermos o costume de ouvir,
a princípio, em casa, filtrando o que gosta e ir se adaptando com as dinâmicas que essa música tem.
Infelizmente é uma música que se tem que parar para ouvir inicialmente, até
criar o costume e virar algo corriqueira. Não dar pra varrer a casa e ouvir Le Mer de Debussy, ou tentar tirar um cochilo da tarde ao som da Sagração da Primavera de Stravinsky. Portanto temos que saber o
momento exato de saber ouvir e começar a criar o costume e a cultura da música
clássica, e aos poucos deixando essas distancia cada vez menor, e cada vez mais
ir ao teatro apreciar essa belíssima arte.
Por
Amauri Barbosa
Nota:
Sugestão de repertório erudito para começar a escuta:


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